sexta-feira, 4 de novembro de 2016

AS MISSES NEGRAS NA DISPUTA DO TÍTULO DE MISS BRASIL







Olá meus estimados amigos e amigas, tudo bem com vocês? Faz uns dias que estou elaborando o material desta postagem, aliás, um assunto importante e bem oportuno quando nesse ano elegemos uma Miss Brasil negra, para representar a beleza da mulher brasileira no Miss Universo 2016. Raissa Santana, representou o Estado do Paraná no concurso.
A luta das moças negras ou mulatas começou a ser travada com afinco nos anos 60, sobretudo na Guanabara, atual Estado do Rio de Janeiro. O Clube Renascença, reduto de uma camada de negros de boa situação financeira, foi quem começou a apresentar candidatas para o Miss Guanabara. Em 1960, o Renascença mandou uma mulata com garbo e charme, Dirce Machado, que conseguiu ser incluída entre as 8 finalistas. Em 1963, quem causou sensação no Miss Guanabara foi a mulata escultural Aizita Nascimento. No ano de 1964, a disputa começou logo na eleição da Miss Renascença, com a disputa entre duas mulatas, Vera Lúcia Couto dos Santos e Esmeralda Barros. Vera Couto levou a melhor e no Miss Guanabara não teve chance para nenhuma outra, sendo Vera a representante carioca no Miss Brasil 64. Foi  um concurso memorável, com o ginásio do maracanãzinho lotado, o povo gritando das arquibancadas "GUARANÁ", isto é, Miss Guanabara e Paraná para o primeiro e segundo lugares. O júri não atendeu, venceu Ângela Vasconcelos, do Paraná em primeiro e Vera Lúcia Couto dos Santos em segundo, com direito a representar o Brasil no Miss Beleza Internacional, em Los Angeles. Verinha foi e fez bonito, trouxe dois troféus com sua beleza - o do terceiro lugar e o de fotogenia.
Contudo, a beleza da mulher negra brasileira não encontrou abertura para competir de igual para igual nos certames dos Estados, havia a barreira do preconceito disfarçado, algo velado que ninguém assumia abertamente. Acabou-se o império dos Diários Associados, que detinha os direitos das franquias dos concursos Miss Universo, Miss Mundo e Miss Beleza Internacional no Brasil, no final dos ano 70. Sílvio Santos, dono  da TVS, assumiu o Miss Universo e o Miss Mundo nos anos 80. Quando Sílvio Santos comandava a eleição do Miss Brasil tivemos a primeira Miss Brasil negra, em 1986 com a gaúcha Deise Nunes de Souza. Por ironia do destino, o Rio Grande do Sul que quase mandava misses loiras para o Miss Brasil foi o primeiro a eleger uma beleza negra como Miss Brasil. Foi a quebra de um paradigma, sem dúvidas.
Trinta anos depois, outro Estado brasileiro que também tinha a tradição de mandar representantes loiras, o Paraná, elegeu a segunda Miss Brasil negra.
Um dado interessante mostra que em 2014 tivemos quatro misses negras no Miss Brasil e em 2016 saltou para seis misses da raça negra disputando o título.
Entretanto, não podemos fechar os olhos para a nossa realidade, existe ainda preconceito racial no nosso país, em quase todas camadas representativas da sociedade. Para finalizar, vou citar um trecho do relatório do Grupo de Trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre afrodescendentes- " aponta que no Brasil o racismo é "estrutural e institucional". Nosso país viveria em uma "falsa democracia racial", que nega a existência do racismo devido a miscigenação entre diferentes povos e raças. Dedico esta postagem ao amigo LUCAS POMBEIRO. Bom final de semana para todos! Abraços

6 comentários:

Nelson Ramos Junior disse...

Bom dia Evandro!
A sua postagem aborda um assunto muito importante para ser discutido: o preconceito racial nos concursos de beleza no Brasil.
Eu fiz TCC na minha especialização em História sobre o assunto, focado na década de 1950.
Pretendo um dia dar continuidade á pesquisa.
Abraços!

Anônimo disse...

Lindas e profundas tuas palavras. Realmente cobramos muito da organização do Miss Brasil quanto à participação das lindas mulheres negras e pardas, mas esquecemos de também focar o que se passa nos certames estaduais e municipais. A realidade é obvia, somos um país de rica diversidade de raças e culturas, e as mulheres negras, morenas e pardas simplesmente esbanjam charme e beleza espontaneamente. Muito obrigado pela bela postagem Evandro.

Lucas - Curitiba/PR

Lourival Alves disse...

Não há preconceito racial por aqui, durante o carnaval, deveria não haver o ano todo e em todos os certames.
Sds.Lourival Capixaba

Vera Lúcia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Roberto Wagner disse...

Belíssimo trabalho abordando a beleza negra.Parabéns Evandro!!!Abraços Roberto Wagner.

Vera Lúcia disse...

Adorei a postagem, amigo Evandro. As fotos são belíssimas. Parabéns.
Abraços.

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